CPVI - Centro de Pesquisa da Visão Integrativa

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Quinta, 31 de Julho de 2014 - Bom dia!
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Editorial

Os Olhos

 

O olho humano é o órgão mais extraordinário do corpo humano. Ele é capaz de responder a um milhão e meio de mensagens simultâneas e, no entanto, não é maior do que uma bola de ping-pong. Como no caso de outros primatas, nossos rostos achatados permitem que desfrutemos de uma visão binocular, com avaliação precisa de profundidade. Evoluídos a partir de um estilo de vida de saltos no alto das arvores, eles nos serviram bem nos primórdios da caça, quando a estimativa de distancias era de vital importância. Os fatores chave do olho incluem: (1) a córnea; (2) a pupila; (3) a íris; (4) a lente; (5) a retina; e (6) o nervo ótico.

Os olhos são órgãos dos sentidos dominantes no corpo humano. Estima-se que 80 por cento das nossas informações sobre o mundo externo são recebidas através destas estruturas notáveis. Apesar de tudo o que falamos e ouvimos, conservamo-nos, essencialmente, como animais visuais. Neste aspecto, não diferimos muito dos nossos semelhantes próximos, os macacos e símios. Toda a ordem dos primatas é um grupo dominado pela visão, com os olhos colocados à frente da cabeça, propiciando uma visão binocular do mundo.olho

O olho humano tem apenas uma polegada de diâmetro, fazendo com que, no entanto, a mais sofisticada das câmeras de televisão pareça como algo da Idade da Pedra. A retina sensível à luz atrás do globo ocular contém 137 milhões de células que enviam mensagens ao cérebro, informando ao mesmo o que estamos vendo. Destas células, 130 milhões têm formato de hastes e são referentes à visão em preto e branco; as 7 milhões remanescentes têm formato cônico e facilitam a visão a cores. A qualquer momento estas células que respondem à luz podem lidar com um milhão e meio de mensagens simultâneas. Em função de sua complexidade, não surpreende o fato de que o olho seja a parte do corpo que mostra menor crescimento entre o nascimento e a idade adulta. Até o cérebro cresce mais do que o olho.

No centro do olho, existe um ponto preto que chamamos de pupila – a abertura pela qual a luz passa para cair na retina. A pupila aumenta em tamanho com luz fraca e diminui com luz forte, controlando a quantidade de iluminação que cai na retina. Neste aspecto, o olho realmente se comporta de forma muito similar a uma câmara com diafragma ajustável, mas ele também conta com um sistema de domínio curioso. Se o olho vê algo que gosta muito, a pupila expande mais do que o normal, e se vê algo desagradável a pupila encolhe para um tamanho tão pequeno quanto uma picada de alfinete. É fácil compreender a segunda das duas reações, uma vez que uma contração maior da abertura da pupila simplesmente reduziria a iluminação da retina “abafando” a imagem desagradável. O aumento na dilatação da pupila que ocorre quando vemos algo atraente é mais difícil de explicar. Isto interfere com a precisão da nossa visão ao permitir a entrada de muita luz na retina. O resultado será mais um brilho nebuloso do que uma imagem nítida e equilibrada. No entanto, isto poderá ser uma vantagem para jovens apaixonados quando se olham em suas pupilas dilatadas. Eles poderão se beneficiar ao verem uma imagem um pouco embaçada, banhada por um halo de luz – o oposto da imagem onde se vê tudo, nos mínimos detalhes.

Olhos humanos, diferentes dos olhos de macacos e símios, têm os brancos que assinalam a direção do olhar

Frequentemente, trajes elaborados cobrem outros órgãos dos sentidos como a boca, o nariz e as orelhas; mas mesmo quando a meta é de cobrir o corpo inteiro, os olhos devem permanecer livres para se comunicarem com o mundo externo.
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Diferente das outras espécies de primatas, o ser humano tem brancos visíveis nos olhos. Na maioria dos macacos e símios, as partes correspondentes dos olhos são marrom escuro, o que dificulta a leitura da direção exata de seu olhar. Mas nos humanos, onde se tornou vital acompanhar a atenção dispersiva de nossos companheiros sociais, o branco evidente que cobre ambos os lados da íris colorida nos informa o ângulo do olhar imediatamente.
 
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Ao redor da pupila, existe uma íris musculosa e colorida, o disco de contração responsável pelas mudanças no tamanho da pupila. Esta tarefa é levada a cabo por músculos involuntários, portanto, nunca podemos controlar o tamanho da nossa pupila voluntária ou deliberadamente. Este é o fator que faz da expansão ou contração da pupila um guia tão confiável para nossas respostas emocionais a imagens visuais. Nossas pupilas não mentem.

Todos nós temos “olhos puxados” no útero; apenas os orientais os mantêm depois do nascimento

Os chamados ‘olhos puxados’ dos orientais são resultado da presença de uma aba de pele chamada ‘epicanto medial’. Está é uma característica infantil que todos nós possuímos quando estamos no útero, mas que os ocidentais perdem antes do nascimento. Aparentemente as raças orientais evoluíram, originalmente, em regiões extremamente frias do mundo, onde os olhos necessitavam de proteção adicional contra as condições de congelamento.
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A cor da íris varia muito de pessoa para pessoa, mas isto não se deve a uma variedade de pigmentos. Pessoas com olhos azuis não possuem pigmento de olhos azul; elas simplesmente têm menos pigmento do que as outras pessoas, o que dá a impressão do tom azulado. Se você tem um anel marrom escuro ao redor de suas pupilas, isto significa que você tem uma quantidade generosa de pigmento de melanina nas camadas dianteiras de suas íris. Se a quantidade de melanina nesta região é menor e o pigmento estiver confinado às camadas mais profundas da íris, seus olhos serão mais pálidos, variando entre cor de avelã ou verde, até cinza ou azul, na medida em que o pigmento diminui. Uma coloração violeta se deve ao sangue transparecendo. Olhos com cores vivas em seres humanos são, portanto, um pouco de ilusão de ótica.

Eles indicam uma perda de melanina e parecem fazer parte da ‘palidez’ geral do corpo que ocorre na medida em que nos movemos da Linha do Equador rumo às regiões polares menos ensolaradas. Este efeito é mais notável quando comparamos os bebês de pessoas brancas com aqueles de raças com a pele mais escura. Quase todos os bebês brancos têm os olhos azuis no momento do nascimento. Bebês com pele escura têm olhos escuros. Então, na medida em que cresce, a maioria das crianças brancas irá gradualmente desenvolver o pigmento da melanina na frente da íris, tornando os seus olhos sempre mais escuros. Só um pequeno percentual falhará no processo, e acabará retendo a cor ‘azul bebê’.

Cobrindo a pupila e a íris, há uma janela transparente, a córnea, e ao redor dela, uma região à qual nos referimos como ‘o branco dos olhos’, tecnicamente chamada esclera. É esta parte não ótica do olho humano que traz a sua característica mais inusitada. Unicamente para nós, partes do branco de nossos olhos são visíveis para os espectadores. A maioria dos animais tem olhos circulares em formato de botão. O mesmo se aplica aos primatas antigos, mas para a maioria dos macacos, a pele ao redor dos olhos é ligeiramente puxada para trás, à direita e esquerda, formando ‘cantos’. Esses olhos ainda estão mais próximos do formato de um círculo do que de um oval; mas a tendência dá um passo adiante nos símios que têm olhos mais elípticos, aproximando-se da forma humana. Mesmo neste caso, os ‘brancos’ não são visíveis, com a parte exposta a cada lado da íris combinando com a cor marrom escuro. Nos humanos, os brancos destas mesmas áreas as tornam altamente evidentes. O efeito desta pequena mudança evolutiva é que durante encontros sociais, mudanças no sentido dos olhares são facilmente detectadas mesmo a distancia.

Ao redor da parte visível do olho, as pálpebras, emolduradas por cílios curvos, têm beiradas oleosas e brilhantes. A oleosidade é causada pelas secreções de carreiras formadas por pequenas glândulas, visíveis como pequenos furinhos de alfinete logo atrás das raízes dos cílios. O piscar regular destas pálpebras umedece e limpa a córnea. O processo é auxiliado pela secreção de lágrimas da glândula lacrimal, enfiada abaixo da pálpebra superior. O liquido é drenado através de dois pequenos dutos lacrimais – também visíveis como dois furinhos de alfinete, só que maiores, nos cantos das pálpebras. Eles ficam posicionados na extremidade do nariz das pálpebras, um na pálpebra superior e outro na inferior. Os dois dutos se conectam num único tubo que carrega as lagrimas ‘usadas’ para baixo, pelo interior do nariz e embora. Quando as emoções ou uma irritação nos olhos fazem com que as glândulas lacrimais produzam lagrimas mais depressa do que a capacidade de escoamento dos dutos, estamos chorando. O excesso de lágrimas se derrama sobre nossas bochechas e as enxugamos. Este é o segundo fator único aos olhos humanos, pois somos os únicos animais terrestres que choram por emoção.

Nenhum outro animal terrestre chora por emoção

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A espécie humana é o único animal terrestre que chora copiosamente quando emocionado. A secreção normal das lágrimas está ligada com a limpeza da superfície da córnea do olho, mas em momentos de paixão intensa e excitação, uma secreção poderosa e anormal ocorre, fazendo com que lágrimas rolem bochechas abaixo. Isto pode ter evoluído simplesmente como uma forma visual de demonstrar aflição, ou pode ser uma maneira engenhosa para a remoção de excessos químicos que causam stress do organismo. O fluido lacrimal é secretado por uma glândula que fica acima do olho, e é drenado por um par de dutos próximos ao canto interno do olho.

Entre os dois dutos lacrimais, no canto do olho perto do nariz, existe um pequeno caroço rosado. Trata-se do resto de nossa terceira pálpebra que aparentemente, agora, parece ser totalmente desprovida de função. Em muitas espécies, trata-se de um órgão com algum valor. Algumas espécies as utilizam como ‘limpador de pára brisas’, piscando-as para os lados para limpar os olhos; outras as têm coloridas, ativando-as como sinal; outras, ainda, as têm completamente transparentes usando-as como óculos de sol naturais. Patos mergulhadores vão além, pois as tendo transparentes e bem grossas, puxam-nas sobre suas córneas sensíveis quando mergulham debaixo d’água.

Caso os nossos antecedentes primitivos tivessem sido mais aquáticos ou subaquáticos, os prazeres da atualidade poderiam ter sido muito realçados.

Os cílios que nos fornecem uma franja protetora acima e abaixo dos olhos, têm uma característica excepcional: eles não embranquecem com a idade como outros pelos da cabeça e do corpo. Cada olho tem aproximadamente 200 deles, com maior quantidade na pálpebra superior do que na inferior, e cada cílio dura entre três a cinco meses antes de cair e ser substituído. Eles têm tempo de vida igual ao dos pelos das sobrancelhas.

Outra forma de proteção ocular ocorre nos orientais que possuem uma aba de pele chamada de epicanto medial que fica localizada sobre a pálpebra superior e dá aos olhos mongolóides sua ‘inclinação’ característica. Esta dobra esta presente nos fetos humanos de todas as raças, mas só é retida na fase adulta pela ramificação oriental da família humana. Alguns bebês ocidentais nascem com a dobrinha ainda presente, mas ela desaparece gradualmente na medida em que o nariz se estreita e muda de forma com o avançar da idade. Entre os povos orientais o epicanto parece ter sido retido como parte de uma adaptação geral ao frio. Todo o rosto é mais carregado de gordura, achatado e mais capaz de enfrentar as condições gélidas, sendo que a dobra suplementar de pele acima dos olhos ajuda a proteger esta área delicada num meio ambiente extremo.

Existem pequenas diferenças de gênero no olho. O olho masculino é ligeiramente maior do que o feminino, enquanto que o feminino mostra uma proporção maior de branco do que o masculino. Em muitas culturas, as glândulas lacrimais são mais ativas em mulheres emotivas do que em homens emotivos, mas se isto se deve a um condicionamento cultural que requer que os homens se mostrem menos emocionalmente ou se é uma diferença biológica mais básica, fica difícil de afirmar. Parece ser uma diferença muito difundida para que seja o simples resultado de treinamento social.

Uma palavra sobre as lagrimas em si: elas não apenas são lubrificantes para a superfície exposta do olho, como também são bactericidas. Elas contêm uma enzima chamada lisozima que mata bactérias e protege os olhos de infecções.


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O esforço temporário dos olhos é um mal comum do homem civilizado. O fato é que nossos olhos evoluíram para trabalhar de forma eficiente em distâncias muito maiores do que aquelas normalmente adotadas na vida moderna. Os homens pré-históricos não se sentavam debruçados sobre mesas ou encurvados em poltronas, absorvidos com números, lendo letras miúdas ou assistindo a imagens trêmulas nos monitores. Como eram caçadores, seus olhos estavam mais preocupados com imagens à longa distancia. Muito mais esforço é necessário para que os músculos oculares focalizem um objeto próximo do que um objeto distante, portanto o homem urbano de visão próxima pode facilmente causar a si mesmo um cansaço muscular, passando horas e horas olhando para um ponto a poucos metros de distancia. Quando assistimos TV ou lemos um livro, não é apenas a proximidade que causa o problema, mas a falta de variação na profundidade da visão. Isto força os músculos dos olhos a manter dado grau de contração por um período anormalmente longo. Nossos olhos podem doer, mas isto não quer dizer que os tenhamos danificado mais do que um homem que correu uma milha tenha danificado suas pernas doloridas. Tudo o que precisam é descanso. A solução é simplesmente desviar os olhos da tela ou da pagina ocasionalmente e focalizar num objeto mais distante por alguns momentos.

Não existe pigmento azul nos olhos azuis

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As pupilas dos olhos variam dramaticamente de tamanho dependendo da quantidade de luz que caia sobre elas, e elas também se dilatam e contraem sob influencia emocional. Se virmos algo que gostamos, as pupilas aumentam; se virmos algo desagradável, elas diminuem para o tamanho de uma picada de alfinete. A íris muscular que contorna a pupila varia em cor, de acordo à quantidade de melanina presente. Quase todos os bebês brancos têm olhos azuis, mas a maioria deles desenvolve olhos mais escuros na medida em que envelhecem. Bebês de pele escura têm olhos escuros desde o nascimento. Não há pigmento azul em olhos azuis ou pigmento verde em olhos verdes. Estes e outros cinzas e violetas sutis são o resultado de quantidades reduzidas de melanina em diferentes camadas da íris. Trata-se de um mito o fato dos olhos azuis serem mais delicados que os escuros. Eles poderão ser mais sensíveis à luz, mas são tão fortes quanto os escuros em outros aspectos.

Uma visão fraca terá sido uma maledicência para muitos de nossos ancestrais mais remotos, não apenas pela falta de precisão em obter informação visual, mas também porque o esforço permanente de tentar enxergar com uma visão defeituosa causa fortes dores de cabeça e enxaquecas. A maledicência ficou para as pessoas das civilizações mais antigas e se aguçou com a invenção da escrita, sendo que muitos sábios e acadêmicos de idade tinham de empregar jovens que lessem para eles. Sêneca, o romano conhecedor da arte da retórica que viveu na época do Cristo, parece ter sido a primeira pessoa que tentou resolver este terrível problema. Diz-se que apesar da visão fraca, ele conseguiu ler o seu caminho pelas bibliotecas de Roma fazendo uso de um ‘globo de água’ com uma lupa. Esta solução engenhosa deveria ter conduzido ao desenvolvimento primitivo dos óculos, mas isto não aconteceu. Foi apenas no século treze que o filósofo inglês Roger Bacon registrou sua observação de que “Se qualquer pessoa examinar as letras ou outros objetos miúdos através de um cristal ou de um vidro... se ele tiver o formato do segmento menor de uma esfera, com a parte convexa direcionada para o olho, ela enxergará as letras muito melhor e estas lhe parecerão bem maiores’. Ele continuou dizendo que tal vidro seria útil para aqueles com os olhos fracos, mas, novamente, não houve pressa em se desenvolver tal benção para a visão humana. No final daquele século, na Itália, óculos de verdade para leitura finalmente apareceram, muito embora não fique claro se eles foram influenciados por Bacon. Em 1306, um monge em Florença deu um sermão que incluía a seguinte frase: “Ainda não se passaram vinte anos desde que a arte do fabrico dos óculos, uma das artes mais úteis sobre a Terra, foi descoberta... ’ Mais ou menos na mesma época, Marco Pólo registrou ter visto um ancião chinês usando lentes para leitura, o que deixa claro que no século quatorze o movimento na direção do uso de óculos em larga escala havia realmente começado. No século quinze, lentes especiais para a correção da miopia apareceram, e no século dezoito, Benjamin Franklin inventou as lentes bifocais. As primeiras lentes de contato bem sucedidas foram feitas na Suíça em 1887.olho


Esta breve história dos óculos tem mais do que mero interesse médico porque também mudou a aparência dos nossos olhos. O formato dos óculos tornou-se parte da expressão facial do seu portador. Uma armação com a parte superior pesada transformou-se num franzir da testa, fazendo com que o proprietário parecesse mais feroz e dominante. Uma armação larga e circular produziu um olhar com olhos bem abertos, como se a curva da armação representasse sobrancelhas arqueadas. Não havia nada de dissimulado, como no caso da maquiagem sutil. Os óculos obviamente não faziam parte do rosto e, no entanto, era impossível não se deixar influenciar pelas suas linhas, assim como um rímel altera toda a expressão de quem o utiliza.

O efeito dos óculos escuros é especialmente dramático. Movimentos reveladores dos olhos que se tornam evidentes com o branco dos olhos, conforme mencionado anteriormente oferecem uma fonte de informações constante durante encontros sociais, mas os óculos escuros efetivamente eliminam aquela informação. Olhos que disparam olhos que mudam de direção, olhos desatentos ou atentos demais, olhos dilatados – ficam escondidos dos companheiros do homem que porta óculos escuros. Eles só podem tentar adivinhar o que acontece atrás da máscara dos seus óculos.

Emoldurar os olhos com as mãos transforma o olhar num super olhar

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O gesto dos ‘óculos’ ou ‘binóculos’, normalmente, uma maneira de brincalhona de dizer ‘estou te vendo’, tem o efeito de transformar o rosto, fazendo com que ele pareça estar com o olhar fixo. Isto rende à pessoa que faz o gesto um comportamento ligeiramente ameaçador, mesmo quando a intenção não é esta. Óculos com armações pesadas operam na mesma base, dando ao seu portador um olhar permanentemente ‘ameaçador’, que é artificial. Isto porque, como todos os primatas, somos programados a responder com certo grau de apreensão a um par de olhos grandes e fixos.

O que eles estão perdendo? O que nos falam precisamente os movimentos do olho humano? Em qualquer reunião social, subordinados tendem a olhar para as figuras dominantes e tendem a ignorar os subordinados, exceto em circunstancias especiais. Por exemplo, se um indivíduo amigável e submisso entra numa sala, seus olhos vão olhar aqui e ali, checando todos os presentes. Se ele localizar um indivíduo dominante, ele manterá um olhar persistente e cuidadoso sobre o mesmo. Sempre que um comentário engraçado ou uma declaração controvertida for feita ou quando uma opinião pessoal for emitida, os olhos do subordinado se lançarão em direção da pessoa dominante para avaliar a sua reação. A figura do “chefe” fica tipicamente distante durante este tipo de troca, e ele mal se da ao trabalho de olhar para os seus subordinados durante a conversa. Mas se ele dispara uma pergunta para um deles, ele o faz encarando a pessoa de forma direta. O indivíduo sobre o qual ele se fixa se vê incapaz de sustentar este olhar por muito tempo e, durante a maior parte do tempo de sua resposta, olha em outra direção.

Esta é aquela situação onde uma ‘cutucada’ clara entra em operação e onde certos indivíduos têm controle sobre outros e desejam exercitá-lo. Quando amigos do mesmo status se encontram, os movimentos dos olhos são um pouco diferentes. Aqui, todos usam movimentos de olhos ‘subordinados’, apesar de não serem subordinados. Isto é feito porque a maneira mais simples de demonstrar amizade com a linguagem corporal é demonstrando não hostilidade e não dominação. Portanto, somos cuidadosos com os nossos amigos, tratando-os com os nossos olhos como se eles fossem dominantes. Quando eles falam ou agem, olhamos para eles; quando falamos e eles nos olham, desviamos o nosso olhar e voltamos a fitá-los brevemente, de quando em quando, para checar as suas reações àquilo que estamos falando. Destarte, cada um dos dois amigos tratará ao outro como o poderoso, fazendo com que se sinta bem.

Se um indivíduo dominante quiser cair nas graças de outra pessoa, poderá fazê-lo adotando, deliberadamente, uma linguagem corporal amigável, de semelhante. Ao abordar um empregado ou subordinado de qualquer espécie, ele poderá, de forma manipuladora, lançar um olhar atento, absorvendo em detalhes cada palavra do subalterno. Tais recursos são raramente usados por indivíduos dominantes, a não ser em contextos especiais como campanhas eleitorais.

olhoA troca de olhares prolongados só ocorre em momentos de amor ou ódio intensos. Para a maioria das pessoas, nas mais diferentes situações, um olhar direto que é sustentado por mais do que alguns momentos é muito ameaçador, fazendo com que elas rapidamente olhem em outra direção. Entre pessoas apaixonadas existe uma confiança mútua tão grande que eles podem sustentar a troca de olhares prolongados sem medo. Na medida em que se olham, eles estão inconscientemente verificando o grau de dilatação na pupila do outro. Se eles vêem piscinas negras, eles intuitivamente sabem que seus sentimentos são compartilhados. Se virem pupilas pequeninas, eles poderão começar a sentir um desconforto, entendendo que nem tudo está bem no relacionamento.olho

Mudando do amor para o ódio, o olhar de uma pessoa brava pode ser muito intimidante. Em tempos antigos, quando as superstições eram abundantes, acreditava-se que seres sobrenaturais monitoravam os eventos humanos e influenciavam os seus desfechos. O fato destes poderes divinos ou divindades estarem olhando, significava que eles tinham olhos para ver tudo. No que se referia a deuses bons, tratava-se de uma vantagem clara para os seres humanos porque divindades benignas podiam ser protetoras. Mas havia também os deuses ruins, demônios e diabos – espíritos ruins com olhos vis – e um olhar deles podia ser sinônimo de desastre.

A crença no poder do olho ruim se proliferou e sobrevive até a atualidade em algumas partes do mundo, como no Sul da Itália. Os olhos ruins se transformaram no Olho Ruim, uma influencia maliciosa, danosa e até mortal, que podia abater uma vítima sem aviso prévio. Se o seu olhar recaísse sobre você, algo de terrível aconteceria. Às vezes, uma pessoa comum ficava possuída, aquém da sua vontade, pelo Olho Ruim, e qualquer pessoa que ela fitasse acabava sofrendo de alguma forma pouco tempo depois. Pelo menos dois Papas – Pio IX e Leo XIII – foram possuídos por esta terrível aflição, o que causava um pesadelo de problemas para os seus seguidores.

Os óculos obviamente não fazem parte do rosto

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O efeito sinalizador dos óculos tem sido explorado várias vezes. A personalidade dominante enfatiza seu estilo com óculos pesados; o astro pop tímido esconde sua modéstia atrás de óculos excêntricos; a celebridade em campanha pela paz espera demonstrar sua falta de agressividade, o homem silencioso sua falta de afetação, selecionando óculos do tipo ‘vovó’ com um aro fino de metal circular. Um dos recursos mais populares é de usar óculos escuros quando não há sol. Esta é a estratégia do operador suave, do negociador frio, o negociante da sombra, o astro incógnito. Para alguns, óculos escuros oferecem um meio de esconder a identidade, mas para outros é um truque para evitar revelar os movimentos dos olhos.

Juízes que julgavam casos de possessão pelo Olho Ruim durante a Inquisição insistiam para que os prisioneiros fossem encaminhados à corte andando de frente para trás, a fim de que seus olhares letais não criassem tumulto na sala de audiências. Muitas pessoas em culturas das mais diferentes usavam talismãs e amuletos que ajudassem a protegê-los. Alguns deles eram obscenos, com o propósito de distrair o Olho Ruim e desviar o seu olhar. Outros eram constituídos da imagem de um olho fitando, para dominar o Olho Ruim. Alguns bebês até eram tatuados com um olho protetor nas costas, caso o Olho Ruim se aproximasse sorrateiramente por trás.olho

Barcos, casas, colares, ídolos, naus, lojas – todos eram decorados com olhos protetores, olhos fixos que nunca piscavam e nunca podiam ser dominados. Embora possamos rir dessas superstições antigas, ainda não estamos livres delas.

A crença no poder ameaçador do olho fixo permanece conosco de maneiras não muito óbvias. A ferradura da sorte é uma delas. Originalmente ela simbolizava os genitais femininos e colocá-la sobre a porta para boa sorte era um artifício para distrair o Olho Ruim e evitar que ele olhasse para dentro do edifício.

Como se acreditava que os piores feitos do Olho Ruim fossem causados pela inveja, era importante não se exceder em elogios sobre uma pessoa que poderia ser vulnerável. Chamar alguém de maravilhoso em momentos de alto risco era considerado imperdoável em alguns locais. Tratava-se de tentar o desastre, encorajando o Olho Ruim a abater o ‘maravilhoso’ em função da inveja incontrolável. Em círculos eqüinos, os donos dos cavalos temiam que os elogios a dado animal pudessem conduzir à fratura de suas pernas pelo Olho Ruim. Ao invés de sussurrarem palavras de elogio, eles mesmos diziam ‘quebre a perna’, para que o Olho Ruim visse isto como supérfluo e deixasse o animal em paz.


Esta forma curiosa de converter ‘bons votos’ sobrevive atualmente em teatros de arena de alto risco, onde eles são ditos ao ator antes da sua entrada.

 

No entanto, é impossível não sermos influenciados por eles

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Todas estas técnicas de ‘boa sorte’ se originaram de uma crença falsa de que uma corrente de energia similar ao fogo solar era emitida pelo olho todas as vezes que ele fitava alguém. Mesmo Leonardo da Vinci acreditava que um facho de luz emanava dos olhos abertos e que ele literalmente estabelecia um contato com os objetos que os olhos fitavam. Obviamente, se os olhos tivessem poderes sobrenaturais assim como malevolentes, o facho de luz emanando dos mesmos sobre uma vítima poderia facilmente ser danoso ou talvez letal. Uma vez entendido que a luz recaía sobre o olho e não emanava dele, a base para a crença da superstição do Olho Ruim foi destruída. O que torna ainda mais surpreendente o fato de que ela tenha subsistido tão insistentemente na costa do Mediterrâneo e em outros lugares.

O poder de um olhar para expressar amor e ódio, para elevar e degradar, sempre impressionou

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Existem apenas duas condições emocionais sob as quais duas pessoas se olham fixamente por qualquer período de tempo. A primeira é de amor intenso, e a segunda é de ódio intenso. Namorados olham fundo nos olhos um do outro, inconscientemente verificando a dilatação na pupila do parceiro, que revela seus verdadeiros sentimentos. Quanto maior a dilatação, maior o amor. Os que se odeiam olham um para o outro tentando fazer com que o rival desvie o olhar, o que contaria como derrota psicológica.

Coisas que sim emanam dos olhos comuns hoje em dia são as várias expressões que transmitem sinais visuais para as pessoas, avisando-as das oscilações de humor de seus companheiros. A maioria dessas expressões é bem conhecida e óbvia não justificando uma discussão, mas algumas delas merecem um breve comentário.

Abaixar os olhos formalmente é, por vezes, usado como sinal de modéstia. Isto se baseia no comportamento natural de subordinados que não se atrevem a encarar seus superiores, mas isto não acontece casualmente. A mais modesta das ‘flores’ não direcionará seus olhos para a direita, nem para a esquerda, mas para o chão. Existe a sugestão de um curvar-se, ou do abaixar da cabeça em sinal de submissão.

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Pessoas que acreditam na importância da boa e da má sorte em suas vidas são, muitas vezes, supersticiosas o suficiente para decorar os seus quartos com olhos. Estes são conhecidos tecnicamente como ‘olhos apotropaicos’ e têm sido usados de uma forma ou de outra por milhares de anos. A idéia subjacente é que se um ‘olho ruim’ vier olhar para a pessoa que está no quarto, trazendo má sorte com seu olhar, ele poderá ser anulado pelos outros olhos presentes. Por serem olhos artificiais que não piscam, eles eventualmente poderão forçar o ‘olho ruim’ a olhar em outra direção, livrando o dono de quarto de qualquer dano. Olhos similares têm sido afixados às proas de barcos desde os tempos mais remotos e ainda podem ser vistos nas costas do Mediterrâneo na atualidade.

Elevar os olhos também é usado, às vezes, como um sinal deliberado. Se eles se mantêm na posição elevada por algum tempo, a expressão é de ‘pretensa inocência’. Levado a cabo como graça ou pilhéria, este movimento dos olhos se baseia na idéia de se olhar para os céus como testemunhos da dita inocência.

Olhos enraivecidos são, não raro, utilizados por pais quando querem coagir as crianças a ficar em silêncio. Os olhos enraivecidos são uma versão completa do olhar fixo. Os olhos se fixam na ‘vítima’ com sobrancelhas franzidas, mas os olhos muito abertos. O que é uma contradição, porque olhos bem abertos são normalmente acompanhados de sobrancelhas elevadas, portanto estas duas partes do rosto acabam trabalhando uma contra a outra. Em função disto, não é uma expressão que possa ser mantida por um longo período de tempo. Durante o olhar enraivecido, as pálpebras superiores pressionam para cima com tamanha força que quase desaparecem atrás das sobrancelhas descendentes, e a linha de demarcação dos olhos enraivecidos é fornecida pela pele das sobrancelhas, não pela pálpebra. Isto dá uma forma estranha aos olhos que é inequívoca. A mensagem do olhar enraivecido é de surpresa com braveza.


olhoO olhar de soslaio é usado para dar uma olhada em alguém sem ser visto durante o processo. Ele também é usado como um sinal deliberado de timidez, quando se transforma em sinal de afetação. ‘Estou com muito medo de olhar para você diretamente, mas não consigo evitar’ é a mensagem contida aqui, e a frase ‘lançar olhares de ovelha em alguém’ tem sido utilizada para descrever esta ação.

A perda de foco nos olhos ocorre quando estamos muito cansados ou quando estamos sonhando acordados. Alguém que queira sinalizar que possui algo de especial que o faça sonhar acordado (uma nova namorada, por exemplo), poderá deliberadamente ficar olhando para a janela ou para o outro lado da sala com olhos fora de foco, como maneira de impressionar os colegas.

Abrir muito os olhos, ao ponto do branco aparecer acima e/ou abaixo da íris é a resposta básica para a surpresa moderada. Esta ação aumenta o campo de visão dos olhos e prepara o caminho para respostas maiores aos estímulos visuais. Como em muitas dessas reações automáticas dos olhos, utilizamos uma versão deliberadamente ‘encenada’ para assinalar surpresa.

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Estreitar os olhos também tem uma versão deliberada. Basicamente é uma resposta de proteção a muita luz ou a possíveis danos, mas ela tem uma forma desdenhosa na qual a pessoa que estreita os olhos demonstra claramente que não está sendo exposta ou sofrendo qualquer ameaça de danos. Esta expressão de ‘dor’ artificial implica que os que estão presentes são a causa de uma angústia mais ou menos permanente. É uma expressão de desgosto – um olhar altivo de desdém sobre o mundo ao redor. A dobra especial de pele acima do olho oriental cria, por vezes, uma falsa impressão de ‘altivez’, porque faz com que o olho fique deliberadamente mais estreito.

A eloqüência dos olhos não tem rivalidade

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Olhos brilhantes transmitem um sinal completamente diferente e difícil de disfarçar (a não ser para atores profissionais). A superfície brilhante dos olhos fica ligeiramente sobrecarregada com secreção das glândulas lacrimais, causadas por emoções despertadas, mas as emoções não são suficientemente fortes para produzir o choro em si. Estes são os olhos dos amantes passionais, dos fãs que idolatram, dos pais orgulhosos e do atleta que triunfa. Eles também são os olhos brilhantes da angústia, da aflição e da perda, na verdade, de qualquer condição emocional muito próxima do choro.

O choro em si também é um sinal social poderoso. O fato de que choramos e outros primatas não o fazem tem despertado interesse considerável, e sugere-se que esta diferença se deve ao fato de nossos ancestrais terem passado por uma fase aquática há muitos milhões de anos. As focas choram quando estão emocionalmente aflitas, mas os mamíferos terrestres não – exceto pelo homem. Leões marinhos também são vistos chorando quando perdem seus rebentos, e sugere-se que o pranto copioso é um produto agregado à função aprimorada de limpeza dos olhos em mamíferos que retornaram ao mar.


Estas são cinco das muitas expressões visuais com as quais sinalizamos os nossos sentimentos aos nossos companheiros. Basicamente, elas estão relacionadas com o grau do nosso desejo em querer fechar nossos olhos para protegê-los, ou abri-los mais para absorver uma visão mais ampla possível daquilo que nos envolve. Os olhos cerrados de quem está lá fora são uma resposta simples a muita luz solar, mas uma expressão similar pode ser adotada por alguém num ambiente interno com pouca luz que queira transmitir um sinal de desconforto. Os olhos abertos para a surpresa podem ser artificialmente exagerados com a aplicação de certos cosméticos, recurso popular entre as dançarinas hindus, cujos movimentos visuais fazem parte integral da apresentação. Às vezes, um olho fica aberto, enquanto que o outro fecha; uma ação à qual nos referimos como piscar. Isto é, na verdade, um fechar de olho direcional, no qual miramos o olho fechado a um amigo, implicando que existe algo escondido – um segredo que compartilhamos. Quando feito para um estranho do sexo oposto, implica que existe um desejo sexual compartilhado (e, todavia não manifestado). Os olhos inocentes do comediante que olha para cima, têm significado duplo. Eles representam a timidez, ao se desviarem da menina desejada, e também miram os céus, como se buscando o perdão divino
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O realce cosmético do impacto visual

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Todos os vários gestos visuais tornam-se evidentes devido ao fato de que tendemos a concentrar na região dos olhos quando nos encontramos socialmente. Um pé se mexendo será muito menos notado do que um olho que se mexe. Apesar disso, não deixamos o assunto sossegar e, por milhares de anos, temos buscado recursos para tornar os nossos olhos mais evidentes. Desde as civilizações antigas, pessoas têm escurecido os cílios para tornar os seus movimentos mais óbvios, têm delineado as pálpebras para exagerar o formato dos olhos, e têm pintado a pele em volta deles para realçar o contraste entre a cor do rosto e o branco dos olhos. Hoje em dia, este tipo de maquiagem está quase que exclusivamente confinado às mulheres, mas isto nem sempre foi o caso. No século dezessete, John Bulwer registrava que ‘Os turcos têm um pó preto... que com um lápis fino, eles colocam sob as pálpebras’. A ilustração fornecida por seu artista mostra não uma beleza feminina turca, mas um homem com um bigode grande
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Esta explicação aquática certamente tem muita lógica. Se o homem tivesse passado por uma fase aquática há vários milhões de anos, tivesse intensificado sua produção lacrimal em resposta à exposição à água do mar, e depois voltasse à terra seca como caçador da savana, ele poderia muito bem ter retido seus olhos lacrimosos, explorando o choro emocional como um novo sinal social. Isto explicaria porque ele é o único primata com esta característica. Uma explicação alternativa é que foi o mundo empoeirado da savana que aumentou a produção de lagrimas e que o choro emocional copioso foi um produto agregado de uma limpeza de olhos aprimorada. Se o destaque é que outros animais vivendo em condições com muita poeira não choram quando estão aflitos, pode-se argüir que todos eles têm bochechas cabeludas nas quais as lágrimas são perdidas. Somente na face nua da espécie humana as lágrimas brilhantes agem como um poderoso sinal visual para companheiros que estejam próximos.

Uma explicação completamente diferente dos olhos banhados de lágrimas baseia-se na idéia de que as lágrimas, como a urina, têm como função principal a excreção de produtos desnecessários. A análise química das lagrimas produzidas por angústia bem como aquelas produzidas por irritação à superfície dos